domingo, 24 de junho de 2007

fulana, vem cá

Por
Leonardo
Curitiba-PR

fulana, vem cá
levanta o vestido
eu quero te ver
já ando bem farto
de olhar-te coberta
e não te enxergar
teu rosto pintado
teu porte de gesso,
teu frio colar
lambendo-te os seios
me fazem lembrar
de células quentes
que acordam sedentas
se pernas se cruzam
se pernas se apertam
se pernas se ajeitam
fulana, vem cá
retira essa blusa
eu quero te ver
já ando bem fartp
de olhar-te vestida
e não te enxergar
ninguém vai saber
do fauno que habita
no fundo de nós,
da carne desperta
do fundo de nós
deixa-te prá mim
deixa que eu te faça
rabiscos de gato
na rosa-cintura
eu morro. vem cá
o século é nosso
eu sou e tu és
façamos de conta que sou teu bebê
me embala. me aninha
me dá de comer
fulana, não chores,
nem temas assim
eu sou e tu és
o mundo que vá
prá onde quiser
os dois que tentem
um leito na lua.
eu quero na terra
eu quero no quarto
eu quero no simples
eu quero-te nua.
fulana, vem cá.

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